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DCNTs em 2022: O que esperar? - Cobertura do evento do dia 28/01/2022

Na última sexta-feira (28/01), às 16h, o FórumDCNTs promoveu seu primeiro painel do ano cujo tema foi “DCNTs em 2022: O que esperar?”. O evento teve como objetivos entender quais serão os maiores desafios para as doenças crônicas em 2022, se haverá avanços nas prioridades identificadas pelo FórumDCNTs e, por fim, discutir sobre como os diferentes setores poderão contribuir para reduzir os riscos de agravamento das DCNTs durante 2022.


Participaram do encontro Patricia Vieira, diretora Executiva da Associação Brasileira de Hipercolesterolemia Familiar (AHF), Mônica Andreis (ACT Promoção da Saúde), Deborah Malta (UFMG), Levimar Araújo (SBD) e Patrícia Vasconcelos (SVS-MS)


Patricia Vieira deu início ao painel apresentando a carta enviada pelo FórumDCNTs ao Ministério da Saúde com pontos importantes voltados para a prevenção e atenção necessária a pessoas com DCNTs e a toda a sociedade.


Já Mônica Andreis (ACT Promoção da Saúde) foi a primeira painelista a falar e destacou a importância da construção de políticas públicas que ajudem a reduzir hábitos não saudáveis agravados pela pandemia: aumento de consumo de cigarro e bebidas alcoólicas no mesmo tempo que a diminuição de uma alimentação mais saudável.


Segunda Deborah Malta, professora e pesquisadora na UFMG, durante a pandemia, o número de internações em geral caiu em relação às internações pela Covid-19, havendo uma certa negligência a outras doenças. Outro ponto que ela destacou foi o número de óbitos de pessoas em casa.


Malta afirmou que a Covid-19 produziu uma profunda desigualdade em relação a raça/cor e a estratos sociais menos favorecidos.


Entre os hábitos das pessoas com DCNT’s, explica ela, houve uma queda na prática de exercícios físicos, mais tempo em frente a tela e computadores, além do aumento do consumo de ultraprocessados. Tudo isso, de acordo com Malta, coloca um grande desafio para o futuro, pois o cenário que se apresenta é um maior número de pessoas com doenças crônicas, e piora as condições de saúde de quem já tem uma ou mais das doenças crônicas.

A Covid acentuou nossas desigualdades e as mortes foram maiores entre negros e pobres. Doença crônica deve constar nas nossas agendas de prioridades.”


Levimar Rocha Araújo, presidente da Sociedade Brasileira de Diabetes, foi o terceiro convidado a falar no painel. O médico destacou que a Covid-19 aumenta a incidência de diabetes do tipo 1 e tipo 2 em jovens. Outro ponto tratado por ele foi a necessidade de criar planos de ação para desestimular o consumo de tabaco e de hábitos alimentares pouco saudáveis.


“A proposta da SDB é fortalecer nossos departamentos” disse. Segundo ele, a instituição fará este ano um congresso de enfermagem e diabetes, uma vez que esses profissionais são importantes para a conscientização sobre esta condição de saúde.


De acordo com a representante da pasta da Saúde, está previsto várias iniciativas para este ano, entre elas está o lançamento de séries de Cadernos de Promoção da Saúde, a interiorização da Agenda2030 na Amazônia Legal e o início do projeto de desenvolvimento da Plataforma de Tradução do Conhecimento de modo que dê acesso a informação a toda a sociedade.


Vasconcelos finalizou sua fala destacando que o Brasil precisa investir na prevenção do desenvolvimento saudável da população e na prevenção contra DCNT’s.


Ao final, quando o painel foi aberto para debate, Deborah Malta disse que alguns males que já haviam sido superados estão voltando ao Brasil, que voltou a ser incluído no Mapa da Fome.


“Temos um problema que se agravou com a pandemia e desigualdade social: as pessoas não têm dinheiro para comprar alimentos saudáveis. Isso é deletério em relação a doenças crônicas”, disse. Segundo ela, é preciso taxar os alimentos ultraprocessados e reduzir o preço das comidas saudáveis.


Levimar Rocha Araújo, corroborando Malta, relembrou o aumento da má alimentação e do aumento de casos de diabetes 2 em jovens.


A painelista Patricia Vasconcelos falou sobre a importância de unificar as informações para poder fazer advocacy por melhorias. “Entender melhor os mecanismos e trazer evidências que se aprofundem é importante para realizar ações mais focadas”.


Por fim, Mônica Andreis lembrou que neste ano haverá eleições e é fundamental que os candidatos incorporem a temática das doenças crônicas e da reforma tributária, que pode influenciar na promoção da saúde.