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Dia Mundial do Diabetes: Acesso e Educação para Aumentar Qualidade e Expectativa de Vida - Cobertura

Investir na capacitação dos profissionais de saúde e das pessoas com diabetes para o autocuidado, aumentar o acesso a medicamentos modernos no SUS e melhorar a organização da gestão são algumas das propostas levantadas no evento do FórumDCNTs.


Instituído pela Organização Mundial de Saúde (OMS) e pela Federação Internacional de Diabetes (IFD) em 1991, o Dia Mundial do Diabetes (14 de novembro) é dedicado às campanhas de conscientização e prevenção sobre o diabetes. A data foi escolhida por lembrar o aniversário do cientista canadense Frederick Banting, que descobriu a insulina em 1921. No entanto, devido ao aumento de casos de diabetes no mundo, as iniciativas não ficam restritas somente a esse dia. Durante o mês de novembro inteiro são realizadas diversas ações em vários países para alertar a população sobre os sintomas, as causas e as formas de prevenção e de tratamento desta condição crônica, que atinge 537 milhões de pessoas no mundo, segundo a IDF. Esses e outros dados foram destacados pelo Coordenador Geral do FórumDCNTs, Dr. Mark Barone, durante a abertura do evento online realizado pelo FórumDCNTs no dia 04 de novembro para debater o acesso e a educação em diabetes no Brasil.

“Historicamente, todas as projeções feitas sobre o número de pessoas que terá o diagnóstico de diabetes no mundo foram ultrapassadas. Isso mostra que essa condição tem alta prevalência, com proporções epidêmicas e pandêmicas assustadoras. Em 2003, por exemplo, estimava-se que em 2025 haveria 333 milhões de pessoas com diabetes, mas este número foi ultrapassado em 2011 e hoje há mais de meio bilhão de pessoas com diabetes no mundo”, comparou Dr. Mark. Na Região da América do Sul e Central (SACA), a tendência de crescimento é de 50%. “O Brasil é o sexto país com mais casos de diabetes no mundo, cerca de 16 milhões, muito mais do que a população da maior cidade brasileira, que é São Paulo”, completou o fundador do FórumDCNTs. Ele também chamou a atenção para o total de investimentos feito pelos países para a prevenção e o tratamento do diabetes e suas complicações. Conforme o gráfico abaixo mostra, o Brasil investe mais em diabetes do que outros países, como China, Índia, Paquistão, Indonésia, México, Bangladesh e Egito. "No entanto, um dos pontos mais preocupantes é a falta de diagnóstico", apontou Dr. Mark. Segundo o relatório TD1 Index, divulgado recentemente pela JDRF, uma em cada 9 pessoas com diabetes não é diagnosticada no Brasil e uma em cada três pessoas diagnosticadas com diabetes não ultrapassa os 55 anos de idade.


Também participaram da abertura do evento o Sr. Conrado Carrasco, da Novo Nordisk Brasil, e a coordenadora de Advocacy da SBD, Sra. Débora Aligieri, que destacaram a importância de eventos como o FórumDCNTs para promover o debate e pressionar programas e políticas públicas que de fato mudem para melhor o panorama atual. A Sra. Débora falou sobre os desafios do tratamento do diabetes pela perspectiva das pessoas que vivem com essa condição e são usuárias do SUS, e que foram identificados pela própria Débora em sua pesquisa de mestrado “Ciberativismo em diabetes: lutamos por vidas, não por likes”, defendida em 2021 na Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo (USP).

Segundo Débora, os desafios apontados nas publicações das pessoas com diabetes na rede social Facebook são de três ordens: a primeira delas é relacionada ao desempenho insuficiente do sistema de saúde associado à oferta de serviços educacionais e intervenção de apoio, ao desabastecimento de insumos e medicamentos na rede pública (problema mais relatado pelos autores das postagens), à desinformação sobre as opções terapêuticas, à ausência de programas educacionais e intersetoriais sobre diabetes em várias cidades, e à desatualização dos protocolos clínicos e diretrizes terapêuticas. “Esses problemas se relacionam a questões da segunda ordem, que diz respeito à informação, comunicação e diálogo entre pessoas com diabetes, gestores e profissionais. Por exemplo, problemas no acesso à informação sobre ações, serviços e fluxos de atendimento no SUS e pouco aproveitamento das mídias digitais para escuta dos pacientes, usadas muitas vezes para resolver problemas individuais e não coletivos”, disse Débora. Já os desafios da terceira ordem são relacionados à gestão e participação social. “Há pouca informação sobre os instrumentos e os espaços de controle social do SUS e há fragmentação da rede de assistência às doenças crônicas não transmissíveis, a exemplo da incorporação dos análogos de insulina de ação prolongada, que ocorreu em 2019 e até hoje não está disponível na rede pública”, apontou.


Dando sequência às apresentações, a Dra. Karla Melo, Coordenadora do Departamento de Saúde Pública da SBD, apresentou alguns dados do TD1 Index e ressaltou a importância de dados atualizados sobre o diabetes tipo 1 (DM1) para que se possa pautar, discutir e desenvolver políticas públicas eficazes em prol da saúde das pessoas com essa condição, principalmente relacionadas às populações que serão beneficiadas no processo de incorporação das tecnologias no SUS. No mundo, existem aproximadamente 9 milhões de pessoas com DM1, enquanto no Brasil são cerca de 588 mil, número bastante inferior às estimativas consideradas até então, mas que não é motivo de comemoração, pois estima-se que “32 anos de vida saudáveis” são perdidos devido à falta de acesso e dificuldades de tratamento. “Anteriormente, considerava-se que o DM1 representava entre 5% a 10% do total de pessoas com diabetes no Brasil, o que ficava entre 800 mil a 1,6 milhão de pessoas com DM1. No entanto, se somarmos o número de 588 mil a 235 mil, referente àquelas que perderam a vida, vamos chegar ao total de 800 mil pessoas com diabetes tipo 1. Um número assombroso, sem dúvida”, analisou a médica endocrinologista.


Dra. Karla refletiu que o Brasil tem assegurado por lei tratamento do diabetes no sistema público de saúde, o que configura um grande avanço, mas então por que os casos de diabetes e anos saudáveis perdidos são tão ruins? “O que falta para atingirmos um cenário melhor?”, questionou. Na opinião dela, falta organização na gestão da assistência a pessoas com diabetes e educação em diabetes tanto para as pessoas que vivem com a condição quanto para os profissionais de saúde, como evidenciado pela Sra. Débora Aligieri em sua apresentação. Dra. Karla elegeu o primeiro ponto necessário para melhorar a gestão: levantar dados por região de quem são as pessoas com diabetes, onde vivem e quais insumos e medicamentos precisam. “A compra de medicamentos para o tratamento o diabetes é feita pelo Ministério da Saúde e entregue aos estados, que, por sua vez, distribuem aos municípios. Então, é necessário ter uma compra centralizada e saber exatamente qual é a demanda necessária”, disse ela.

Dr. Fadlo Fraige Filho, presidente da Associação Nacional de Atenção ao Diabetes (ANAD), da Federação Nacional das Associações e Entidades de Diabetes (Fenad) e da IDF para a Região da América do Sul e América Central (SACA), concordou com a Dra. Karla sobre os principais desafios do diabetes no Brasil e destacou que entre as pessoas com o tipo 2 (DM2) falta conscientização em relação à gravidade da condição. “Muitas pessoas com diabetes tipo 2 negligenciam o tratamento por não reconhecer a condição como um problema grave de saúde quando não tratada. O remédio para isso é educação”, declarou. O presidente da ANAD também afirmou que “o Ministério da Saúde e os gestores de saúde de uma forma geral não reconhecem o diabetes como a principal causa de mortalidade no Brasil. Entre 50% e 60% das mortes por doenças cardiovasculares são de pessoas com diabetes”, declarou. Dr. Fadlo. De acordo com ele, o Brasil teve importantes avanços no tratamento do diabetes nos últimos anos, como a incorporação de insulinas humanas no SUS, substituindo as insulinas de origem animal, mas argumentou que ainda é necessário incluir novos medicamentos orais. “Durante cerca de 40 anos, o SUS dispôs apenas de metformina e sulfonilureia. Recentemente, foi incluída na Farmácia Popular a dapaglifozina, mas com restrições para idade e complicações. Mas não houve a incorporação dos inibidores de DPP-4 nem de agonistas de GLP-1. É preciso incorporar os novos avanços em medicamentos na rede pública. Este é um grande desafio”, completou.

Em seguida, a Sra. Ana Maria Maya, consultora técnica na Coordenação Geral de Alimentação e Nutrição (CGAN) do Ministério da Saúde, explicou que os programas de alimentação saudável e adequada contribuem na prevenção primária e secundária do diabetes e citou como ferramentais importantes nesta seara o Guia Alimentar para a População Brasileira e atualização de dois protocolos voltados para pessoas com diabetes, obesidade e hipertensão arterial. No final de sua apresentação, ela divulgou um folder que reúne as principais orientações práticas do Ministério da Saúde para manejo da glicemia, com foco na ingestão de alimentos minimamente processados, consumo diário de verduras, legumes e frutas, além de bebidas naturais, sem adição de açúcar ou adoçantes.


Já a Dra. Nancy Chang, Diretora de Pesquisa em Diabetes Tipo 2 no Hospital Infantil de Los Angeles (CHLA), trouxe para o debate a necessidade de priorizar a educação em diabetes nos programas nacionais para melhorar o atual cenário brasileiro. Ela citou como estratégias importantes a educação e capacitação de médicos, enfermeiros e demais profissionais da área da saúde a fim de melhorar o diagnóstico de diabetes e promover mais campanhas nacionais para informar a população sobre os sinais, sintomas e complicações da condição. Além disso, providenciar suporte psicológico para todas as pessoas diagnosticadas com diabetes darem continuidade ao autocuidado em casa. “Nos Estados Unidos, há enfermeiros e nutricionistas especializados e preparados para educação do automanejo do diabetes. O país também investe muito dinheiro para o tratamento do diabetes. Desde o diagnóstico, os pacientes recebem educação e medicamentos, mas muitos ainda não conseguem atingir o nível de hemoglobina glicada adequada, porque muitas vezes têm barreiras psicológicas que o impendem de fazer o autocuidado em diabetes. Talvez o Brasil ainda não esteja percebendo isso”, alertou.














Dra. Nancy citou ainda a importância de aumentar o acesso às tecnologias mais modernas, como bomba de insulina e sensores de glicose para melhorar o tratamento. “Entendo que seja difícil pensar em tecnologias quando muitas vezes falta o básico para as pessoas com diabetes, como insulina, mas é fundamental abordar este ponto”, disse. Outro exemplo americano apresentado pela diretora do CHLA como estratégia que o Brasil poderia adotar para melhor o tratamento do diabetes é obrigar as companhias de seguro médico a cobrir todas as despesas relacionadas com educação em diabetes. A Sra. Débora Aligieri alertou que o Brasil é o único país que não obriga por lei os planos de saúde a proverem o tratamento das pessoas com diabetes em uso de insulina e monitoramento da glicemia. “Precisamos mudar a Lei dos Planos de Saúde para derrubar o artigo que exclui da responsabilidade dos planos de saúde o custeio de terapias domiciliares”, declarou Débora. Ela lembrou que recentemente rol taxativo da Agência Nacional da Saúde (ANS) foi derrubado por causa da mobilização e pressão das instituições médicas, associações de apoio a pessoas com diabetes e pessoas com a condição.


O Sr. Alexandre Lopes apresentou algumas ações articuladas da Secretaria Municipal da Saúde de São Paulo para o gerenciamento do diabetes e evitar complicações crônicas. Uma dessas ações é o programa “Viva a Vida com Diabetes”, que visa à capacitação de profissionais de saúde da Atenção Primária da Saúde. Segundo ele, o plano de saúde dos próximos anos prevê o aumento do rastreamento precoce das DCNTs nas unidades básicas de saúde e melhorar os indicadores de prevalência do diabetes e outras condições. No debate, os convidados foram provocados a falar sobre a responsabilidade dos planos de saúde no tratamento do diabetes. Corroborando nas discussões, o Sr. Conrado Carrasco (foto à esquerda), da Novo Nordisk, destacou a escuta ativa e empática, o entendimento da real situação da pessoa que está na ponta e a utilização de multimeios online e offline também são importantes para conectar as pessoas com diabetes ao tratamento. Por parte dos gestores e dos profissionais de saúde, ele apontou como ideal a abertura para a troca de experiência e a simplificação dos protocolos, para facilitar o entendimento de todos os envolvidos para o manejo e autocuidado.


Por fim, os especialistas abordaram dois pontos fundamentais para melhorar o manejo do diabetes. O primeiro é investir em centros, ou clínicas, de atenção especializada ao diabetes, com equipe multidisciplinar, a exemplo do Instituto da Criança com Diabetes do Rio Grande do Sul (ICD-RS). O segundo ponto é a importância de inserir o profissional de educação física nos serviços de atenção primária de saúde às pessoas com diabetes, pois são fundamentais para combater o pré-diabetes, a obesidade e o diabetes, quanto para ajudar no gerenciamento do peso e do diabetes. A valorização do SUS, com aumento do financiamento público em saúde, a união de todos os stakeholders dos diferentes setores e o fortalecimento dos programas nutricionais e de prevenção às DCNTs também foram destacados como estratégias centrais para mudar o panorama do diabetes no Brasil.


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