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Folha de S. Paulo: Brasil gastou R$ 1,3 bi com câncer de pulmão em 2019

Cigarro é principal fator associado à condição no Brasil, mesmo com o país na rota de redução do tabagismo; maior parte dos gastos acontece em mortes precoces


Em matérias publicadas pelo jornal Folha de S. Paulo e o Instituto de Ensino e Pesquisa Insper, o Brasil gastou R$ 1,3 bilhão com custos diretos e indiretos relacionados ao câncer de pulmão, no ano de 2019. Os dados são do Ministério da Saúde e Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), que atestaram 80% dos gastos ligados a mortes precoces na amostra entre 2015 e 2019, o que causa alta perda de produtividade.

Foto: Freepik

A quarta forma de neoplasia mais frequente no país (não considerando o câncer de pele não melanoma), a condição se mostra como a mais letal entre os cânceres, em boa medida por ser diagnosticada tardiamente. Um a cada três mortes acontece ainda em idade de trabalho, por isso são mais expressivos os seus custos de produtividade. O estudo foi realizado por Vanessa Boarati, Carolina Melo, Felippe Bispo, Mariana Rocha, Maria Penha e Giulia Rodrigues, do Núcleo de Saúde e Políticas Públicas do Insper.


O mais prevalente do país, o câncer de próstata registrou em 2019 mais que o dobro de casos, mas, além de ser menos letal que o de pulmão, provoca mortes geralmente em idades mais avançadas, após a aposentadoria. Isso reduz os seus custos de produtividade, também chamados de custos indiretos, embora aumente os custos diretos, os de tratamento.


Já custos relativamente altos de tratamento e de produtividade caracterizam o câncer de mama, o segundo mais comum. Ele teve incidência equivalente a pouco menos do dobro da do câncer pulmonar em 2019, mas ostenta índices mais elevados de cura e sobrevida. Isso faz com que seu custo para a produtividade seja próximo do estimado para o câncer de pulmão.


Avaliados conjuntamente, os custos anuais diretos e indiretos das 29,3 mil mortes em 2019 por câncer de pulmão no Brasil foram da ordem de R$ 1,3 bilhão, com quase 80% desse valor atribuído ao tempo que a pessoa deixou de receber salário por ter morrido antes de aposentar-se e às faltas no trabalho causadas pela condição.

Reprodução: Folha de S. Paulo

Entre as barreiras encontradas para o diagnóstico precoce de câncer pulmão estão problemas no sistema de saúde, que está saturado; de regulação e acesso a novas tecnologias terapêuticas; na promoção de campanhas; e de maior mobilização política e social para alcançar mudanças no cenário nacional. Esses desafios também resultam em um aumento do número de casos. Segundo estimativas do Instituto Nacional do Câncer (Inca), são esperados 32 mil novos casos por ano de câncer de pulmão para o triênio 2023 a 2025.


O Dr. Carlos Gil Ferreira, Presidente da Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica (SBOC), confirmou na matéria que o câncer de pulmão tem interferência direta na parte econômica do país, devido a elevada taxa de mortes. Além disso, destacou uma abordagem mais eficaz para incrementar as perspectivas de cura para, assim, ajudar na identificação precoce do diagnóstico. "Nesse sentido, as estratégias de rastreamento no Brasil ainda são muito limitadas. O estudo é importante ao tentar levantar os custos desse tipo de câncer no país, com foco no potencial impacto das estratégias de rastreio", destacou.


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