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O que podemos aprender com as doenças crônicas não transmissíveis (DCNTs) no Brasil?

 No dia 25 de outubro de 2017, na Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo (ILP-ALESP), aconteceu o primeiro encontro do Fórum Intersetorial para Combate às DCNTs, patrocinado pela  Medtronic Foundation e organizado pelo  Global Health Leaders, um programa do Public Health Institute. Participaram deste, autoridades dos diferentes setores, líderes da iniciativa privada, representantes do Ministério da Saúde e da Secretaria Municipal de Saúde, e diretores de organizações não-governamentais ligadas às diferentes doenças crônicas não-transmissíveis.



 O tema não poderia ser mais corrente, visto que as DCNT são um dos maiores problemas da saúde pública. Estimativas da Organização Mundial da Saúde (OMS) indicam que as DCNTs são responsáveis por 68% das mortes ocorridas no mundo, com destaque para doenças cardiovasculares, cânceres, doenças respiratórias e diabetes mellitus. No Brasil, a transição epidemiológica levou  a preponderância de mortes das doenças infectocontagiosas para as DCNTs (responsável por mais de 72% das mortes) e violência, nos últimos anos


           Estas doenças têm como características em comum o fato de precisarem de acompanhamento de rotina para seu tratamento. Não se pode considerar que após um infarto do miocárdio a pessoa continuará sua vida da mesma maneira, muito menos que ela pode abandonar o acompanhamento – e o mesmo pensamento se estende às outras DCNTs. Além disso, não são transmitidas pessoa a pessoa, diferentemente de doenças bacterianas ou virais. Tão importante quanto o tratamento das DCNTs é a sua prevenção. Destaca-se o fato de a maioria dos fatores de risco serem modificáveis – ou seja, comportamentos que favorecem o aparecimento das doenças – que podem ser alterados, a fim de preveni-las. Alguns dos principais fatores de risco comuns para o desenvolvimento da maioria das DCNTs incluem o sedentarismo, os maus hábitos alimentares e o uso de álcool e tabaco.  


Especialmente pensando nisso, o Ministério da Saúde desenvolve estratégias para modificar fatores de risco para as DCNTs. A doutora Maria de Fátima Marinho, Coordenadora do Ministério da Saúde, explicou que essas estratégias se baseiam na promoção à saúde, no cuidado integral da saúde das pessoas e na constante vigilância, informação, avaliação e monitoramento dos fatores de risco pré-existentes. Isso é feito por meio de programas tais como o Programa Saúde nas Escolas e o Programa Academia da Saúde, além da Pesquisa Nacional de Saúde (PNS) e a Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (PeNSE) – voltada para o monitoramento de fatores de risco em crianças e adolescentes – e o sistema de vigilância de fatores de risco e proteção de doenças crônicas por inquérito telefônico (VIGITEL). De acordo com o Dra. Marinho, com esses programas e estratégias de monitoramento, ocorreu uma redução significativa nas mortes causadas por doenças cardiovasculares no Brasil, no entanto, ainda há muito a ser feito.

           Buscando superar os obstáculos para prevenção e controle das DCNTs, o Fórum facilita o desenvolvimento de parcerias público-privadas, que unam a inovação do setor privado com o apoio e alcance do poder público. No Brasil, devido a várias barreiras legais, normativas, culturais e fiscais, projetos implementados por organizações da sociedade civil e universidades públicas - especificamente federais - tornam-se uma solução reais. Entre eles destacam-se o Agita São Paulo, o Nutrição em Ação, o HealthRise Brazil, além de programas diversos do CIES Global. Quanto ao Health Rise Brazil, apresentado durante o Fórum por seu coordenador de implementação do Brasil, o Prof. Dr. Davi Rumel, trata-se de uma iniciativa inovadora, contando com apoio de municípios, estados e Ministério da Saúde, o programa tem, ainda,  entre seus parceiros nacionais o IEP do Hospital Sírio-Libanês, as universidades  UFVJM, UFMG e UFBA, e entre os internacionais o IHME, a Associações Abt e a Medtronic Foundation. O objetivo principal é fortalecer o acesso a cuidados de saúde de qualidade em diabetes e hipertensão para as populações em Vitória da Conquista, BA, e Teófilo Otoni, MG. De acordo com Esther Tahrir, diretora do Public Health Institute, os programas de liderança, como o  Global Health Leaders, também são fundamentais para fornecer conhecimentos que os profissionais de saúde pública precisam para fazer a diferença nas comunidades locais e globais, ao mesmo tempo em que provocam mudanças nas políticas públicas e estimulam o desenvolvimento de parcerias público-privado (PPP).

   O lançamento do Fórum Intersetorial para Combater DCNTs no Brasil foi o primeiro passo de uma nova iniciativa multifacetada que trabalhará para reunir os setores público e privado no Brasil, a fim de compartilhar conhecimento e recursos, e encontrar soluções para mudar o cenário assustador das DCNTs no Brasil.



Por Ronaldo J. Pineda Wieselberg, Médico da Faculdade de Medicina da Santa Casa de São Paulo e membro do Programa de Jovens Líderes em Diabetes da IDF.

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