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Parcerias de Sucesso entre os Setores Organizam Atenção à Saúde e Reduzem Mortalidade Drasticamente

Por Denilson Oliveira


O segundo encontro do Fórum Intersetorial para Combate às Doenças Crônicas Não Transmissíveis (DCNTs) no Brasil, organizado em São Paulo, pelo Public Health Institute (PHI), com apoio da Medtronic Foundation, em 15 de maio, inspirou seus mais de 50 líderes e autoridades participantes com exemplos de grande sucesso. Entre eles, Dr. Mark Barone, diretor do Instituto de Saúde Pública do Brasil, citou duas parcerias entre os setores público,privado e ONGs. Uma delas é o trabalho feito pela CIES Global, que oferece consultas, exames e cirurgias por meio de unidades modulares e um sistema de gestão inovador. Hoje, são 27 locais de atendimento nos estados de São Paulo e Santa Catarina, além de dois nos Estados Unidos. O outro exemplo é o GRAACC (Grupo de Apoio ao Adolescente e à Criança com Câncer), que levou à elevação da taxa de cura dessa população de 40% para 73%. A entidade realiza 90% de seus atendimentos pelo SUS e mantem parcerias com a iniciativa privada e organizações não governamentais.


Prof. Dr. Sérgio Petrilli, Membro Fundador e Superintendente Geral do GRAACC e integrante do Fórum, complementou: “o governo é nosso parceiro e graças a isso conseguimos atrair a atenção do setor privado. Hoje, o SUS cobre 40% dos nossos gastos. Os demais recursos são provenientes de programas de renúncia fiscal de empresas, campanhas filantrópicas e doações de pessoas físicas”, disse. Segundo ele, cerca de 100 mil pessoas colaboram mensamente com uma média de R$ 20.


Outra iniciativa apresentada, o programa global HealthRise, criado pela Medtronic Foundation, prevê expandir o acesso e a qualidade do tratamento às doenças cardiovasculares e diabetes entre as populações carentes de diversos países. Dra. Maria Angela Bourskela, coordenadora de implementação e monitoramento no país, através do Instituto de Ensino e Pesquisa do Hospital Sírio Libanês (IEP-HSL), expôs um panorama do HealthRise Brazil. “O papel do setor privado é organizar as agendas, mas nada funcionaria se não tivéssemos a parceria do SUS”, disse.


As regiões de Teófilo Otoni (MG) e Vitória da Conquista (BA) foram identificadas para receber o programa no Brasil. Para isso, as universidades federais de Minas Gerais (UFMG), dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri (UFVJM) e da Bahia (UFBA) foram selecionadas como parceiras. “Esses dois estados foram escolhidos por conta da alta prevalência de hipertensão arterial e diabetes. Além disso, possuem microrregiões com organização comunitária e baixo PIB per capita”.

Prof. Dr. Márcio Galvão, Professor de Farmácia Clínica da UFBA e coordenador HealthRise em Vitória da Conquista, e Ceres Almeida, secretária de Saúde do município, falaram sobre como o projeto tem contribuído para melhorar o acesso à atenção primaria entre os moradores da cidade. “Criamos três tipos de entradas de pacientes no programa: através da atuação otimizada dos agentes comunitários, colaboradores e dos próprios familiares dos pacientes, com feiras de saúdes em 23 unidades da região, além de parcerias com rádios comunitárias. Com isso, conseguimos otimizar o rastreio dessas pessoas”, disse Galvão. De acordo com o professor, o processo ajudou a cadastrar 20 mil pacientes com diabetes e pressão alta e, desse total, cerca de 4 mil foram encaminhados para algum tipo de intervenção.


“Mudar a forma como a atenção primária era feita no município valorizou a forma de assistir esses pacientes. Percebemos que, antes disso, o trabalho de motivação com a população não era realizado. Com essas ações, houve um maior engajamento das pessoas atendidas nas feiras e por parte dos profissionais de saúde. Quando um paciente é atendido num evento assim, ele se sente mais motivado e há uma maior adesão”, completou a secretária de Saúde de Vitória da Conquista. Ainda segundo ela, o projeto aproximou o meio acadêmico e os profissionais do órgão público. “Muitos trabalhos feitos na universidade são feitos e ficam por lá. Conseguimos trazer tudo isso para a prática”, completou.


Para o Dr. Reynaldo Mapelli Júnior, promotor de Justiça e assessor do Centro de Estudos e Aperfeiçoamento Funcional da CEAF-ESMP, as parcerias com o setor privado trazem mais agilidade para a saúde pública. “Minha experiência tem sido defender essas parcerias porque sempre foram importantes para o serviço de saúde. Há uma espécie de demonização desse modelo de gestão”. Há 15 anos, Dr. Mapelli dedica seu trabalho à saúde pública. Acompanha o processo de introdução das organizações sociais de saúde (OSS) no Estado de São Paulo, foi chefe de gabinete do Secretário de Estado da Saúde Giovanni Guido Cerri e coordenador do Núcleo de Assuntos Jurídicos (NAJ) da pasta.


Já o Dr. Pedro do Carmo Baumgratz de Paula, Diretor Interino da Vital Strategies no Brasil e Coordenador-executivo da Iniciativa Bloomberg para Segurança Global no Trânsito em São Paulo, lembrou que “é preciso sempre pensar em parcerias adequadas e como isso pode ser inserido na saúde pública e urbana das cidades”. Ele ainda frisou que não se resolve o problema das DCNTs no Brasil se não houver uma mudança nas políticas de transporte, emprego e renda das grandes cidades. “As parcerias também precisam focar nesse sentido e ajudar a reduzir esses índices”, completou.


Portanto, durante o evento ficou claro que os diferentes setores além de estarem abertos às parcerias, já as reconhecem como forma ímpar de atingir resultados em saúde. Exemplos de sucesso estão disponíveis, o desafio agora é ampliá-los de forma sustentável para que possam dar conta do aumento exponencial na prevalência das DCNTs, sem deixar desassistidas populações frequentemente alijadas.

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