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Riscos da Baixa Cobertura Vacinal no Brasil: Novos Dados e Carta Aberta - Cobertura do Evento 22/07

Na sexta-feira, dia 23/07, aconteceu o evento interativo “Riscos da Baixa Cobertura Vacinal no Brasil”, realizado pelo FórumDCNTs. O painel teve por objetivo entender os riscos da baixa cobertura vacinal no país e lançar uma call to action, em formato de uma carta aberta destinada às autoridades, setores e instituições, com a intenção de juntar esforços para criar ações imediatas que revertam essa tendência tão perigosa e, assim, retornar a cobertura vacinal no país a patamares seguros para toda a população, principalmente para as pessoas com CCNTs/DCNTs que são mais vulneráveis dentro de um ambiente com baixa adesão de vacinas.


O Dr. Mark Barone, coordenador do FórumDCNTs fez a abertura do evento apresentando dados que mostram a importância das vacinas para o aumento da expectativa de vida das pessoas. A partir dos anos 1980 houve uma ascensão da cobertura vacinal, atingindo seu ápice no meio dos anos 90 e mantendo este cenário até o ano de 2012, quando começou a haver uma queda. “A população realmente fazia uso desse recurso tão fundamental para evitar diferentes tipos de infecções e doenças que são preveníveis através da vacinação e com isso aumentaram a expectativa de vida. Entretanto, a partir de 2013, começa uma queda na cobertura vacinal da população brasileira e que continua caindo até hoje”, aponta Dr. Barone. Ele ressalta sua preocupação ao indicar que no gráfico apresentado, ainda não há informações sobre os dados pós pandemia, no qual a baixa cobertura vacinal foi ainda maior e se mantém.



Um exemplo da baixa cobertura vacinal no Brasil é a vacina do sarampo. De acordo com dados do Ministério da Saúde, em 2005 e 2009, grande parte do Brasil atingia mais de 90% da cobertura vacinal. Já em 2013 e 2017, o mapa se tornou mais heterogêneo, mostrando a redução na cobertura vacinal em muitas regiões brasileiras. Neste ano, a cobertura do sarampo ainda não chegou à 50% nas crianças, número extremamente preocupante, segundo Dr. Barone.



Os panelistas convidados, Dra. Tercia Moreira Ribeiro (UFMG), Sra. Lely Guzmán (OPAS | OMS), Dr. Mario Hirschheimer (SPSP), Dr. Mauricio Mendonça (Sanofi), Dr. Nereu Mansano (CONASS), Dr. Renato Kfouri (SBP | SBIm) e Dra. Zuleid Mattar, (ABRA), argumentaram e mostraram dados que alertam a gravidade da situação, e deram ideias e sugestões para que o quadro atual seja revertido.


Dr. Mauricio Mendonça (Sanofi) alertou que a baixa vacinação tem várias implicações devido as questões de saúde pública, a forma de produção das vacinas, além da pandemia que também afetou diretamente essa queda.



“Existe um outro componente muito mais estrutural. Vem havendo uma grande transformação no processo de produção de vacinas no mundo. Um exemplo disso, são as vacinas de RNA mensageiro que foram utilizadas para combater a COVID. Mas existe um desenvolvimento tecnológico acelerado em 2 direções. Um na direção de combinação de vacinas, que melhora a eficiência do ato vacinal e garante uma cobertura mais eficiente, e a outra é desenvolvimento tecnológico com as vacinas recombinantes que encurtam o prazo de produção e desenvolvimento das vacinas e trazem um novo alento para que aumentemos as coberturas vacinais”, explana Dr. Mauricio.


Dra. Zuleide Mattar (ABRA), afirma que é necessário resgatar a confiança das pessoas nas vacinas, e para isso devem ser tomadas ações que envolvam toda a sociedade.


“Precisamos do apoio de todos, dos formadores de opinião, das entidades e, principalmente, dos médicos que devem reiterar a importância das vacinas”. Para Dra. Zuleid, as pessoas pararam de prestar atenção nas doenças achando que elas não existiam mais, e por isso deixaram de tomar as vacinar que previnem contra essas enfermidades. Entretanto, a pediatra explica que as doenças existem sim, elas só não se manifestavam devido as vacinas, e uma vez que essas vacinas não estão sendo mais aplicadas, as doenças estão voltando.

Dando continuidade ao evento, Dra. Tercia Moreira Ribeiro (UFMG), apresentou dados sobre o impacto da pandemia por COVID-19 na vacinação, principalmente infantil, no Brasil. Os períodos analisados foram caracterizados como antes da pandemia (abril/2016 - março/2020) e durante a pandemia (abril/2020 - março/2021). Em relação à cobertura da febre amarela, houve uma redução nas regiões Sul (-63,50%), Norte (-34,71%), Sudeste (-34,42%) e Centro-Oeste (-21,72%). Já a vacina de Tríplice Viral apresentou uma queda nos estados de Roraima (-61,91%), Rio de Janeiro (-59,31%), Santa Catarina (-49,32%), Acre (-48,46%), Sergipe (-47,52%), Paraíba (-41,48%) e Amazonas (-28,26%).

Sobre a vacinação contra o HPV, houve uma redução de 76,34% em todo Brasil no período de abril de 2020 a setembro de 2020, de acordo com os dados apresentados. Dra. Tercia apontou perspectivas que podem ajudar a reverter essa problemática:

  1. Identificar as áreas prioritárias, com piores indicadores de cobertura vacinal;

  2. Direcionar políticas públicas e estratégias de saúde para melhorar os indicadores de imunização;

  3. Utilizar análise espacial como ferramenta para identificação dos clusters com baixas coberturas vacinais.

Dr. Mario Hirschheimer (SPSP) destacou que a vacinação contra o Coronavírus teve grande adesão na primeira e segunda dose, porém, as aplicações das doses de reforço estão caindo.


Dando continuidade à discussão, Dr. Renato Kfouri (SBP | SBIm) destacou que a cobertura vacinal em crianças com menos de 1 ano de idade ficou abaixo de 70% em 2021. Dr. Kfouri também apresentou estratégias que podem ajudar a retomar as vacinações.


Dra. Lely Guzmán (OPAS/OMS) também alertou a volta de doenças que já tinham sido erradicadas e agora tem voltado por conta da queda da vacinação. “É essencial alertar a toda a sociedade sobre os riscos de não se vacinarem. Uma forma de tentar reverter esse quadro é investir mais em ações conjuntas sobre a importância da vacinação! É necessário estratégias para haver mais cobertura vacinal em todo o Brasil”.

A obrigatoriedade da vacinação infantil é para o Dr. Nereu Mansano (CONASS), o tema que merece mais atenção em todo cenário apresentado. Ele afirma que é preciso maior rigor dos órgãos responsáveis com os profissionais da área da saúde que são contra a vacinação infantil, sendo necessário colocar essa questão como prioridade absoluta.


Ao fim do evento, os panelistas debateram sobre o assunto e concordaram que medidas precisam ser tomadas com urgência. Dr. Mark Barone apresentou um Call-to-Action endossado por mais de 30 entidades de saúde do país, o qual foi enviado ao Ministério da Saúde, solicitando medidas contra a baixa cobertura vacinal no Brasil.


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