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Planejamento e Alcance de IntersetorialidadeS em Saúde - segundo Prof. Marco Akerman FSP-USP

O FórumDCNTs, desde sua fundação, tem como objetivo aproximar os setores público, privado e terceiro setor a fim de enfrentar - de forma intersetorial - os complexos desafios relacionados às CCNTs/DCNTs. No artigo e vídeo abaixo, o Prof. Marco Akerman, da Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo (FSP-USP), explora as características e potenciais, assim como os equívocos em relação à intersetorialidade em saúde. Apesar de termos trazido abaixo alguns trechos do artigo original, recomendamos sua leitura integral aqui.


No início do artigo, o Prof. Akerman e colaboradores relatam que "nos documentos de construção e embasamento do ideário do SUS a articulação intersetorial é recomendada para tornar cada vez mais visível que o processo saúde-adoecimento é feito de múltiplos aspectos; e para a necessidade de convocar os outros setores a considerar a avaliação e os parâmetros sanitários quanto à melhoria da qualidade de vida da população quando forem constituir suas políticas específicas.


"Há, portanto, um ativismo intersetorial que ainda não se funda numa práxis que tenha potência criativa suficiente para influenciar novas arquiteturas de governança das políticas públicas."


A seguir, propõem que "exploremos então as questões em aberto.


Que atores tomam a iniciativa em desencadear empreendimentos intersetoriais?

• Que contexto político favorece a realização de empreendimentos intersetoriais?

• Qual tem sido o papel do setor saúde?

• Que incentivos têm atraído os atores para empreendimento intersetoriais?

Que razões afastam os atores de participarem?

Os empreendimentos intersetoriais vêm facilitando ou impedindo a participação social?

• Haveria competências a serem desenvolvidas para se desencadear empreendimentos intersetoriais?

• Que tipo de negociação é empreendida entre os distintos atores envolvidos: em termos de financiamento, perda de autonomia, decisões e responsabilidades?"


E sintetizam "estas são questões que no fundo poderiam nos guiar no desafio de problematizar se existe mesmo uma cultura setorial que precisa ser modificada ou na direção de propiciar ferramentas analíticas para se desenvolver a capacidade de olhar, escutar e avaliar qual empreendimento seria mais adequado para cada situação."


Ao final, os autores concluem que "as intersetorialidadeS vão se revelando e se alternando ao sabor do tempo, das conjunturas e dos atores: a 1ª onda - Utilitarista, reforça o estado mínimo e tutelado pelo mercado "passa o pires" e compartilha responsabilidades; a 2ª onda - Racionalizadora, detecta que há fragmentação nas políticas e nas ações que comprometem a efetividade do Estado e busca eficiência; a 3ª onda, está por vir - a Interdependência generosa em que a intersetorialidade não é apenas a instalação de arranjos multisetoriais, mas a decisão ético-política deliberada de que o Estado e sua gestão e políticas servem ao interesse comum."


Fonte:

Akerman, Marco et al. Intersetorialidade? IntersetorialidadeS!. Ciência & Saúde Coletiva [online]. 2014, v. 19, n. 11 [Acessado 19 Fevereiro 2022] , pp. 4291-4300. Disponível em: <https://doi.org/10.1590/1413-812320141911.10692014>. ISSN 1678-4561.