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Call-to-Action: Tratar Distúrbios do Sono é Reduzir Mortes por Condições Crônicas Não Transmissíveis

O texto abaixo, desenvolvido durante evento realizado no dia 29 de maio de 2023, apresenta as prioridades identificadas pelo FórumDCNTs e seus parceiros, especialmente aqueles que a co-assinam, sobre a importância da prevenção, diagnóstico, monitoramento e cuidado dos distúrbios do sono, principalmente em pessoas com ou em risco de desenvolver Condições Crônicas Não Transmissíveis (CCNTs/DCNTs). Esses distúrbios afetam o funcionamento físico, ocupacional, cognitivo, psíquico e social, impactam negativamente a qualidade de vida e representam uma ameaça à saúde e à vida. Nesse sentido, assegurar o sono de qualidade é essencial para a reestruturação física e mental, sendo um estado vital para o bem-estar (1).


Os problemas com sono são considerados uma epidemia global pela Organização Mundial da Saúde, com prevalência entre 1,6% a 56,0% (2). No Brasil, segundo dados da Pesquisa Nacional de Saúde de 2019, 18,6% brasileiros enfrentam problemas relacionados ao sono e esses distúrbios são mais prevalentes em pessoas com hipertensão, obesidade, diabetes e doenças cardiovasculares (DCV), e de maior magnitude na depressão, problemas de coluna e doenças pulmonares. Nos brasileiros com duas ou mais CCNTs, a prevalência de distúrbios do sono é ainda cinco vezes maior (1).


Os distúrbios do sono estão relacionados a alterações metabólicas, hormonais e inflamatórias que provocam e agravam a obesidade, hipertensão, diabetes, dor, transtornos mentais, doenças cardiovasculares e outras CCNTs. Cabe destacar que as CCNTs sem manejo ou tratamento adequado também contribuem para o desenvolvimento e agravamento dos distúrbios do sono. Entre os principais distúrbios do sono encontram-se a apneia obstrutiva do sono (AOS), insônia, síndrome do sono insuficiente, narcolepsia e síndrome das pernas inquietas (1). A AOS e a insônia, junto do sono insuficiente, são os distúrbios mais prevalentes (3,4). A AOS afeta 1 bilhão de pessoas mundialmente e, no Brasil, 27 milhões de pessoas apresentem esse distúrbio. Em CCNTs, a AOS se encontra presente em 77% das pessoas com obesidade, de 30 a 83% de quem tem hipertensão, 48% das pessoas com diabetes, e 30% daquelas com doença arterial coronariana (3,5,6). A insônia, presente entre 7 a 19% da população adulta mundial, atinge até 33% dos brasileiros (3,4). Ambas as condições estão associadas à diminuição da funcionalidade, redução da imunidade, aumento dos riscos de acidentes e do risco cardiovascular. Ao mesmo tempo, quando oportunamente diagnosticadas e adequadamente tratadas, além dos benefícios em múltiplas esferas para a saúde e bem-estar do indivíduo e sociedade onde está inserido, contribuem para a prevenção primária, secundária e terciária de CCNTs (7).


Atualmente, os distúrbios do sono representam um desafio para o Sistema Único de Saúde (SUS), sendo geralmente subdiagnosticados e subtratados. Além disso, existe uma escassez de políticas públicas direcionadas à prevenção e manejo dos distúrbios do sono. Seria prioridade, também, que os profissionais de saúde em todos os níveis de atenção estivessem aptos a avaliar a qualidade e duração do sono, por meio de perguntas sobre o padrão de sono, dificuldade para dormir, sonolência diurna excessiva, duração e horário do sono, e presença de alterações do sono. A orientação de práticas de higiene do sono, que incluem a manutenção de uma rotina regular de sono, criação de ambiente propício ao descanso, limitação à exposição de estímulos antes de dormir (assistir TV, cafeína e tabaco) e promoção da prática de atividade física e alimentação saudável, deve ser de amplo conhecimento e utilização por esses profissionais. Portanto, os investimentos em educação para saúde para profissionais de saúde e população, assim como o amplo acesso a diagnóstico e tratamento dos distúrbios do sono, devem ser priorizados. A incorporação do CPAP, ênfase em terapia cognitiva comportamental, aparelho de avanço mandibular e ampliar o arsenal terapêutico para tratamento adequado destes distúrbios precisam ser avaliados. Com esse objetivo, destacamos a necessidade de planos integrais para o cuidado dos distúrbios do sono que perpassam os diferentes níveis de atenção, e que essas orientações estejam nas diretrizes práticas de tratamento das CCNTs mais prevalentes.


Concluímos, assim, que existe a necessidade de ações estratégicas para a prevenção, manejo e monitoramento dos distúrbios do sono em crianças, adolescentes, adultos e idosos. As parcerias intersetoriais, com participação dos setores público, privado e terceiro setor, serão fundamentais para mobilizar esforços conjuntos e dar visibilidade a essas estratégias de grande potencial. A implementação de políticas públicas e o fortalecimento dos serviços especializados no SUS são cruciais para garantir cuidado aos distúrbios do sono. A introdução de uma linha de cuidados dos distúrbios do sono a nível nacional pode ser benéfica para o país. Ademais, diante dos impactos negativos destes distúrbios nos desfechos das CCNTs, a atenção integral com abordagem do sono está alinhada e auxiliará de forma importante no cumprimento da meta 3.4 dos Objetivos do Desenvolvimento Sustentável da Agenda 2030 da ONU, de redução em 1/3 das mortes prematuras por CCNTs até 2030.


Reiteramos estarmos à disposição para colaborar nesse processo para otimização das políticas e programas para prevenção, diagnóstico oportuno e cuidados de qualidade dos distúrbios do sono e, com isso, consigamos avançar nos custosos desafios elencados acima, melhorando a saúde e qualidade da população.


Mark Barone, PhD

Coordenador Geral

Fórum Intersetorial para Combate às DCNTs (FórumDCNTs)

ForumDCNTs@gmail.com


Alan Eckeli, MD, PhD

Professor e Pesquisador do Departamento de Neurociências e Ciências do Comportamento

Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo (FMRP-USP)


Almir Ribeiro Tavares Júnior, MD, PhD

Professor e Pesquisador do Departamento de Saúde Mental

Faculdade de Medicina de Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG)


Ana Carolina Micheletti Gomide Nogueira de Sá, MSc, PhD

Pesquisadora

Escola de Enfermagem da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG)


Ana Paula Castelo

Advogada Representante

Grupo de Apoio a Paciente com Câncer (GAPCCI - Cachoeira do Itapemirim)


Andrea Daidone

Conselho de Administração

ADJ Diabetes Brasil


André Gustavo Daher Vianna, MD, PhD

Endocrinologista - Doutor em Ciências da Saúde - PUC-Pr

Presidente da Sociedade Brasileira de Diabetes - Regional Paraná

Coordenador de Educação da Sociedade Brasileira de Diabetes


Bruno da Silva Brandão Gonçalves, PhD

Cientista residente

BiomarkerAI


Claudia Moreno, MSc, PhD

Professora, Pesquisadora e Chefe do Departamento de Saúde, Ciclos de Vida e Sociedade da Faculdade de Saúde Pública

Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo (FSP-USP)


Douglas Graciano da Silva

Gerente de Acesso ao Mercado e Relações Governamentais

Resmed Latam

Coordenador Geral do Projeto Hermes Brasil


Elton Junio Sady Prates

Coordenador Geral

Comitê Estudantil da Associação Brasileira de Enfermagem - Seção Minas Gerais


Emerson Cestari Marino, MD

Médico Endocrinologista e Pesquisador Clínico

Centro de Diabetes Curitiba


Geraldo Lorenzi Filho, MD, PhD

Professor Associado da disciplina de pneumologia. Linha de pesquisa: distúrbios respiratórios do sono com ênfase na relação entre sono e doença cardiovascular.

Universidade de São Paulo (USP)


Guilherme Nafalski, PhD

Coordenador de Projetos de Saúde

Instituto Cordial


Júlia Silveira, PwD

Médica Veterinária


Luciane Bresciani Salaroli, MSc, PhD

Professora Associada e Pesquisadora

Universidade Federal do Espírito Santo


Luiz Menna-Barreto, MSc, PhD

Professor Titular e Pesquisador nas áreas de Neurociências e Comportamento e Cronobiologia

Escola de Artes, Ciências e Humanidades

Universidade de São Paulo (EACH-USP)


Luiz Clemente Rolim, MD, MSc

Professor do setor de Neuropatia em pessoas com Diabetes do Centro de Diabetes do Departamento de Endocrinologia

Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP)

Professor do Departamento de Atenção Primária em Saúde

Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo.


Marco Antonio Silva Moreira Matos, MBA

Gerente de Assuntos Médicos Viatris


Maria Odete Pereira, MSc, PhD

Professora da área de Saúde Mental

Escola de Enfermagem da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG).

Diretora de Educação

Associação Brasileira de Enfermagem (ABEN-MG)


Michely Arruda Bernardelli

Presidente da Associação Doce Vida - Lages/SC


Miguel Medeiros, MBA

Fisioterapeuta e Consultor de Saúde Autônomo


Patrícia de Luca, MSc

Diretora Executiva

Associação Brasileira de Hipercolesterolemia Familiar (AHF)


Ronaldo José Pineda Wieselberg, MD

Vice-Presidente

ADJ Diabetes Brasil


Sonia Maria Guimaraes Pereira Togeiro Moura, MD, MSc, PhD

Professora afiliada da Disciplina de Biologia e Medicina do Sono

Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP)

Pesquisadora do Instituto do Sono


Soraya Ribeiro de Moura

Secretária de Saúde

Prefeitura Municipal de Araguari - Minas Gerais


Vinícius Batista Campos, PhD

Professor e Diretor de Educação Profissional

Instituto Federal da Paraíba



Referências

1. Lima MG, Barros MBA, Malta DC, Medina LPB, Szwarcwald CL. Association of self-reported sleep problems with morbidities and multimorbidities according to sex: National Health Survey 2019. Epidemiol Serv Saude. 2022;31(spe 1):e2021386. doi: 10.1590/SS2237-9622202200007.especial.


2. Stickley A, Leinsalu M, DeVylder JE, Inoue Y, Koyanagi A. Sleep problems and depression among 237 023 community-dwelling adults in 46 low- and middle-income countries. Sci Rep. 2019 Aug 19;9(1):12011. doi: 10.1038/s41598-019-48334-7.


3. Bittencourt LR, Santos-Silva R, Taddei JA, Andersen ML, de Mello MT, Tufik S. Sleep complaints in the adult Brazilian population: a national survey based on screening questions. J Clin Sleep Med. 2009 Oct 15;5(5):459-63.


4. Duarte RLM, Togeiro SMGP, Palombini LO, Rizzatti FPG, Fagondes SC, Magalhães-da-Silveira FJ, et al. Brazilian Thoracic Association Consensus on Sleep-disordered Breathing. J Bras Pneumol. 2022;48(4):e20220106


5. Sharma N, Lee J, Youssef I, Salifu MO, McFarlane SI. Obesity, Cardiovascular Disease and Sleep Disorders: Insights into the Rising Epidemic. J Sleep Disord Ther. 2017 Mar;6(1):260. doi: 10.4172/2167-0277.1000260.


6.Surani SR. Diabetes, sleep apnea, obesity and cardiovascular disease: Why not address them together? World J Diabetes. 2014 Jun 15;5(3):381-4. doi: 10.4239/wjd.v5.i3.381.


7.Medic G, Wille M, Hemels ME. Short- and long-term health consequences of sleep disruption. Nat Sci Sleep. 2017 May 19;9:151-161. doi: 10.2147/NSS.S134864.

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