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Doenças Respiratórias na APS: Hora de Avançar! – Cobertura 16/12

Investir em capacitação dos profissionais de saúde e em treinamento remoto com espirometria são algumas das propostas dos especialistas convidados pelo FórumDCNTS para melhorar o acesso ao diagnóstico das doenças respiratórias


No dia 16 de dezembro, o FórumDCNTs realizou o último evento interativo de 2022 com um debate sobre o desafio de diagnosticar e tratar doenças respiratórias na Atenção Primária da Saúde (APS). A moderadora Dra. Sônia Martins, médica de família e coordenadora do Grupo de Estudo e Pesquisa Respiratória na APS (GEPRAPS), iniciou o evento ressaltando que as doenças respiratórias são condições crônicas não transmissíveis (CCNTs) altamente prevalentes no Brasil e motivo frequente de busca de atendimento, sobretudo a doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC) e a asma, consideradas as mais comuns. O Sr. Paulo Fascina, responsável pela área de Ecossistemas em Saúde na Boehringer Ingelheim Brasil, destacou a importância do evento na viabilização de parcerias intersetoriais que visem melhorar o cenário da saúde pública no país. Ele acrescentou que as doenças respiratórias são a terceira causa de mortalidade no Brasil e que o problema começa na baixa taxa de diagnóstico. Estima-se que 7 milhões de brasileiros têm DPOC, mas apenas 12% foram devidamente diagnosticadas e que “por mais que o país tenha evoluído muito com incorporação de políticas públicas recentes e PCDTs atualizados para doenças respiratórias, ainda há um gap importante na implementação e execução do tratamento”, disse.


Entre os projetos desenvolvidos e apoiados pela Boehringer Ingelheim está o programa AbraçAr, uma plataforma de serviços com ações estruturadas que fortalece o aumento do diagnóstico e tratamento da DPOC, proporcionando redução no tempo da jornada e dos custos de hospitalizações para municípios e estados. A Sra. Karina Mauro Dib (foto acima), assessora técnica na Coordenação de Atenção Básica e representante da Área de Cuidado às DCNTs da Secretaria Municipal da Saúde de São Paulo (SMS-SP), compartilhou alguns resultados da parceria público-privada com a Boehringer Ingelheim, que possibilitou implementar câmaras de espirometrias na capital paulista no início da pandemia de COVID-19 e aumentar em 120% a realização de exames do pulmão. Entre junho de 2021 e novembro de 2022 foram feitos 16.123 exames. A previsão para 2023 é realizar 19.500 exames de espirometrias e seis mutirões. “Além de ampliar o acesso ao diagnóstico em tempo oportuno, identificar os fatores de risco, como tabagismo e comorbidades, e melhorar a adesão ao tratamento medicamentoso e não medicamentoso, o programa AbraçAr também visa capacitar as equipes de saúde em DPOC, pois o subdiagnóstico é decorrente do baixo conhecimento sobre DPOC por parte dos profissionais da APS”, disse. Segundo ela, os profissionais de saúde estão sendo capacitados na modalidade à distância, por meio de videoaulas, numa plataforma própria da Escola Municipal da Saúde.


A Sra. Flávia Lima (foto à esquerda), presidente da Associação Brasileira de Apoio à Família com Hipertensão Pulmonar e Doenças Correlatas (ABRAF), também apontou a capacitação dos profissionais de saúde, principalmente da APS, como ação fundamental para reduzir o impacto das doenças respiratórias no sistema público de saúde e na qualidade de vida das pessoas. É este o objetivo do projeto Capacita, um curso online desenvolvido pela ABRAF que aborda o diagnóstico e o tratamento da DPOC, além de trazer depoimentos de pessoas que convivem com essa CCNT. A ABRAF também mantém ativa a Central do Pulmão, que presta atendimento por WhatsApp e telefone, encurtando a jornada das pessoas à informação, facilitando o diagnóstico e oferecendo acolhimento. “Diariamente recebemos pessoas que estão perdidos na rede pública de saúde, transitando entre a atenção básica, hospitais e internações. Este cenário resulta no aumento das filas para consultas com especialistas e da demanda de atendimentos nas emergências”, analisou.


Acredito que o subdiagnóstico está tanto no desconhecimento do médico sobre as doenças respiratórias, quanto na falta do instrumento para fazer o diagnóstico e este instrumento é a espirometria”, acrescentou a Dra. Eliane Mancuzo, médica coordenadora do Laboratório de Função Pulmonar do Hospital das Clínicas da Universidade Federal de Minas Gerais (HC-UFMG). Ela relatou a experiência bem-sucedida do programa Tele-Espirometria, que tem permitido ampliar diagnóstico e melhorar o tratamento de doenças respiratórias crônicas através da APS. A ideia para o projeto surgiu depois que a coordenadora constatou que muitas pessoas viajavam até 700 km para fazer a espirometria no HC-UFMG. Assim, em novembro de 2021, o hospital e o Ministério da Saúde firmaram uma parceria inédita em âmbito nacional, que começou com a implantação de espirômetros em 100 municípios brasileiros e a capacitação online e presencial de profissionais de saúde. “O técnico faz a espirometria no município, encaminha pela plataforma Telessaúde e a equipe de pneumologistas do HC-UFMG analisa e emite o laudo, devolvendo-o à APS. Pela teleconsultoria, o médico pode esclarecer qualquer dúvida relacionada ao laudo ou ao atendimento”, explicou Dra. Eliane. Recentemente foram adquiridos mais 70 espirômetros e treinados outros 70 técnicos, totalizando 170 municípios com espirômetros e cerca de 4 mil exames realizados. A previsão é realizar 50 mil exames. “O projeto mostrou que é possível treinar um profissional não especialista para fazer espirometria com qualidade. Nossa meta é que o profissional da ponta faça mais de 90% dos exames com qualidade”, afirmou a Dra. Eliane.


Por sua vez, Dra. Cristina Sette (foto à esquerda), médica sanitarista e consultora do Conselho Nacional de Secretarias Municipais de Saúde (Conasems), trouxe a visão do gestor de saúde e destacou três desafios urgentes de serem sanados. O primeiro deles diz respeito à formação acadêmica, que deve ser aperfeiçoada para que os médicos sejam formados sabendo como diagnosticar e tratar as doenças respiratórias. Segundo ela, “à gestão municipal de saúde compete garantir os espaços de atualização e aperfeiçoamento”, mas o conhecimento básico inicial deve vir da academia. “O segundo desafio é melhorar o acesso da população ao diagnóstico no contexto de um sistema de saúde subfinanciado. É preciso discutir como garantir a universalidade, a integralidade e o cuidado adequado em um território heterogêneo, que não vai mudar”, expôs Dra. Cristina. Nesse sentido, a médica do Conasems inclui o terceiro desafio: a construção da rede de saúde e as relações com as secretarias estaduais nas macrorregiões de saúde e nas regiões de saúde.


Dra. Angela Honda (foto à direita), médica pneumologista e líder de Programas Educacionais da Fundação ProAR, corroborou a análise da Dra. Cristina, dizendo que “existe uma grande falha na formação acadêmica” e ressaltou a importância de educar a população sobre os fatores de risco, como tabagismo e comorbidades, e chamar a atenção para a gravidade das doenças respiratórias quando não identificadas e tratadas adequadamente.


Na opinião da Dra. Angela, os desafios precisam ser avaliados com base na realidade de cada região. “Implementar espirômetros em São Paulo, por exemplo, é uma medida excelente, porque há uma fila enorme de pessoas esperando para fazer o exame, mas em outro lugar, onde os profissionais de saúde sequer sabem como fazer o diagnóstico, o primeiro passo é a capacitação”, afirmou. Outro cenário que precisa ser repensado é a atenção especializada de saúde. Segundo a médica pneumologista, atualmente a maior parte das pessoas acompanhadas na atenção especializada têm asma leve ou moderada não controlada, em vez de pessoas com asma grave. “Pessoas com asma leve e moderada devem ser acompanhados na Atenção Primária”, afirmou. Os especialistas debateram também o acesso ao tratamento. Dra. Sônia apontou a necessidade de descentralizar a reabilitação pulmonar dos indivíduos, pois muitos encontram dificuldades em ir aos centros de tratamento. Já a Sra. Karina falou sobre a importância do tratamento não medicamentoso para o fortalecimento da saúde das pessoas com doenças respiratórias e salientou o papel de outros profissionais, como farmacêuticos, nutricionistas e profissionais de educação física, no acompanhamento.


O Sr. Paulo Fascina complementou citando outro programa da Boehringer Ingelheim, AbraçAr a Vida, que tem como foco o atendimento multidisciplinar, incluindo psicólogos. Ele assumiu o compromisso de disponibilizar este programa em 2023 aos parceiros interessados.


Por fim, os convidados sugeriram algumas ações a médio prazo para melhorar o cenário do diagnóstico e tratamento das doenças respiratórias no Brasil. “Todos os profissionais de saúde são importantes para a educação das pessoas com doenças respiratórias, ensinando por exemplo a usar as bombinhas de asmas, mas precisamos ouvir mais as pessoas com CCNTs. Então sugiro ampliar os espaços para que as pessoas com doenças respiratórias contem as suas histórias para sensibilizar a população e os profissionais”, destacou a Sra. Flávia Lima. Já a Dra. Cristina Sette sugeriu ao ProAr, Abraf, AbraçAr e outros programas participarem da Mostra Brasil, Aqui tem SUS, que acontecerá em 2023 e tem como objetivo promover a troca de experiências. A Sra. Karina Mauro Dib (SMS-SP) apontou a importância de construir protocolos enxutos e práticos para que os médicos e profissionais de saúde possam se atualizar e capacitar, a fim de clarificar a linha de jornada do indivíduo. Investir em educação e informação foi a recomendação de todos os especialistas, que citaram, por exemplo, desconhecimento da população em questões básicas, como identificar os sintomas das doenças respiratórias como algo grave e o significado da sigla DPOC.


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