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Comunicação em saúde: o que é mais eficaz, comunicar riscos ou benefícios?

No dia 16 de agosto aconteceu o painel online do Projeto ESPIE "Estratégias de Comunicação de Evidências em Saúde para Gestores e para a População", organizado pelo Hospital Sírio-Libanês, juntamente com o Ministério da Saúde e o Programa de Apoio ao Desenvolvimento Institucional do Sistema Único de Saúde (PROADI-SUS), que integra este sistema, e o resumo para políticas foi disponibilizado a fim de apresentar os principais resultados da revisão do Escopo e sobre aplicabilidade no Brasil.

Foto: Freepik

A apresentação do estudo, que contou com especialistas como Rachel Riera, Jorge Barreto e Cecícia Setti, Especialistas do Projeto ESPIE/HSL, Patrícia Couto, Analista de Políticas Sociais e Coordenadora de Gestão de Programas de Pesquisa - DECIT/SETICS/MS, Janine Miranda Cardoso, Pesquisadora em Comunicação e Saúde - PPGICS,ICICT/Fiocruz, Silvio Fernandes da Silva, Coordenador do Projeto ESPIE/HSL, teve como objetivo apresentar os principais resultados da revisão do Escopo que identificou estratégias de comunicação de evidências em saúde para gestores e para a população e as possibilidades de implementação das estratégias no contexto nacional. É fato que as mídias digitais modificaram e transformaram a comunicação em saúde, assim como em diversas áreas do conhecimento. Portanto existe a necessidade de ajustar e adaptar as diferentes formas de comunicar e transmitir uma mensagem.


As diferentes estratégias desenvolvidas a partir do estudo visam aumentar a compreensão e entendimento das mensagens, seja para gestores, seja para a população. Resultados científicos precisam passar por uma apuração e tradução de dados para que possam facilitar seu real impacto, como estimativas de riscos em saúde, para isso foram analisadas diferentes formas de comunicação em qualquer nível de assistências.


Confira as principais mensagens definidas no resumo de escopo:

  • Evidências em saúde precisam ser comunicadas e disseminadas de modo claro para que sejam compreendidas pelos diferentes tomadores de decisão.

  • Um amplo mapeamento na literatura científica (revisão de escopo) identificou estratégias para comunicar os resultados de estudos científicos na área da saúde.

  • Foram identificadas 78 estratégias, a maioria abordando comunicação de riscos e benefícios em saúde, por exemplo, o uso de frequência (ex: 1 em 10) preferível ao uso de porcentagem (ex: 10%), e comunicação numérica (ex: 9 em 10) preferível a descrições nominais (ex: a maioria).

  • Sínteses de evidências em linguagem acessível parecem ser eficazes para facilitar a compreensão e melhorar as habilidades de pensamento crítico para a interpretação dos resultados dos estudos científicos.

  • Os achados da revisão de escopo contribuem tanto para o processo de tradução do conhecimento, identificando estratégias de comunicação com potencial para implementação imediata, quanto para pesquisas futuras.

Comunicação Risco/Benefício

Foto: Divulgação

Uma das principais estratégias elencadas pelos especialistas foi a comunicação de risco/benefício, ou seja, a mensagem que visa impactar com as perdas em comparação aos ganhos que tal comportamento, medicamento possa ter para as pessoas. Veja os exemplos:

  • Maior compreensão de frequência natural do que de porcentagem

(Ex: "Entre 10 pessoas que usam o medicamento, uma pode apresentar sonolência" versus "10% das pessoas que usam este medicamento podem apresentar sonolência").

  • Maior compreensão de risco absoluto do que de risco relativo e número necessário para tratar (NNT)

(Ex: "Entre 100 idosos que praticam atividade física, 5 desenvolvem a doença e entre 100 idosos sedentários, 50 desenvolvem a doença" versus "Idosos que praticam atividade física têm o risco 10 vezes menor de desenvolver a doença").

  • Maior compreensão e mudança de comportamento com o uso de informação numérica do que nominal

(Ex: "O consumo de álcool reduz em 5 vezes a probabilidade do medicamento funcionar" versus "O consumo de álcool reduz muito a probabilidade do medicamento funcionar").

  • Maior compreensão de informação que se refere à mortalidade do que à sobrevida.

(Ex: "A mortalidade após cinco anos é de 1 pessoa em cada 1000" versus "A sobrevida após

cinco anos é de 999 pessoas em cada 1000").

  • Mensagem com teor negativo ou de perda parece ser mais eficaz para compreensão e mudança de comportamento do que com teor positivo ou de ganho

(Ex: "Uma alimentação inadequada aumenta o risco de progressão da doença" versus "Uma alimentação balanceada aumenta a probabilidade da doença não progredir").


Por fim, algumas das estratégias reconhecidas para comunicação em saúde podem ajudar nas melhorias de compreensão e entendimento de informações, principalmente de evidências científicas e resultados de pesquisas. Todo esse resumo busca ser mais acessível para a sociedade, o real foco para as melhorias em saúde em todos os níveis.


Acesse o documento completo aqui.


Você também pode assistir ao evento aqui.


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