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DCNTs em 2023, o que priorizar? - Cobertura do Evento 27/01

Primeiro evento do FórumDCNTs de 2023 apresenta o panorama e as tendências das DCNTs/CCNTs em 2023, e a importância da Carta de Prioridades para o avanço no enfrentamento às CCNTs


Na última sexta-feira, dia 27 de janeiro, aconteceu o primeiro evento online do FórumDCNTs em 2023 com o tema “DCNTs em 2023, o que priorizar?”, que apresentou a atual situação ao combate às DCNTs/CCNTs no Brasil. Moderador do evento, o Dr. Mark Barone, Coordenador Geral do FórumDCNTs, abriu o evento destacando a importância do debate sobre esse tema para iniciar o ano com as atenções direcionadas aos pontos estratégicos e as prioridades na Carta de Prioridades do FórumDCNTs no enfrentamento dessas condições. (Confira todos os vídeos do Evento aqui).


A primeira painelista a se apresentar foi a Profª Dra. Deborah Malta, Professora Associada e pesquisadora da Escola de Enfermagem da UFMG e Coordenadora do Grupo de Pesquisa do GBD Brasil, que relembrou a meta DCNT da Agenda 2030 com o Indicador 3.4, que resulta na redução em um terço da mortalidade no mundo. Mas o enfrentamento às condições crônicas deve ser constante, e a Taxa de Mortalidade prematura por CCNTs no Brasil aumentou antes mesmo da pandemia, como mostrou o gráfico Population health metrics. “Gostaria de relembrar um desses estudos, que não foram frequentes durante a pandemia, na parceria entre a Fundação Oswaldo Cruz, UFMG e UNICAMP, a pesquisa CONVID, com 45 mil participações na população adulta e mais de 9 mil adolescentes”, declarou a Profª Deborah, já que o período foi desafiador na amostragem.

Também foi ressaltado que a pandemia da COVID-19 afetou diretamente o combate às CCNTs, principalmente na questão comportamental da sociedade e a diminuição da atividade física de 30,4% antes da pandemia para 12,6% em 2020. A procura de serviços de saúde por pessoas com CCNTs aumentou durante a pandemia, mas a dificuldade nos atendimentos foi duramente sentida. A disputa de leitos e de UTI também reduziu o acesso e aumentou significativamente o número de mortes no Brasil, principalmente nas capitais do Norte do país. A Profª Deborah também reafirma que temos que nos preparar com relação à COVID longa, que interferem diretamente às pessoas com CCNTs. Na comparação entre 2019 e 2022, a prática de atividades físicas diminuíram, mas os números com relação ao sedentarismo, excesso de peso e obesidade cresceram mais que 3%, de acordo com a pesquisa realizada pela Escola de Enfermagem da UFMG.

Em seguida o Dr. Marco Antônio de Moraes, Diretor Técnico de Saúde da Divisão de Doenças Crônicas da Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo (SES/SP), levantou as ações que a Vigilância Epidemiológica está priorizando para o ano de 2023. Primeiramente foi apresentado as ideias dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, que reafirmam e ampliam as propostas para o enfrentamento das DCNTs e promoção da saúde no Brasil, bem como o Plano de DANT (Doenças Crônicas e Agravos Não Transmissíveis no Brasil). Os indicadores e metas procuram reduzir em um terço a mortalidade prematura por DCNTs, assim como buscam a redução da mortalidade prematura em 10% com relação aos diferentes tipos de câncer (mama, colo do útero e aparelho digestivo) nas pessoas entre 30 e 69 anos

Não iremos alcançar a redução da taxa padronizada de mortalidade prematura por DCNT no Estado de São Paulo entre 2015 e 2030, e a nossa equipe está preocupada por esses números”, afirmou o Dr. Marco Antônio, que também alertou sobre a qualidade de vida da população quanto à prática de atividades físicas. Segundo o Vigitel (Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico), a previsão é de que a taxa de pessoas que praticam exercícios físicos no município de São Paulo reduza drasticamente de 32,3%, em 2021, para 16,6%, como previsão em 2030. Em contrapartida, a prevalência do tabagismo na cidade paulistana também seria reduzida, de 11,2% em 2021 para 2,5% em 2030. Para tanto será necessário fomentar ações como o monitoramento dos indicadores segundo sexo, idade em diferentes unidades de saúde; a disseminação desses indicadores pelo acesso automatizado; educação em saúde por meio de encontros virtuais; parceria com a OPAS para diminuir as desigualdades sociais; e elaboração de síntese de evidências em temas relacionas às CCNTs.

Na sequência, o Sr. Diogo Alves, Consultor Nacional da Organização Pan-Americana de Saúde (OPAS/OMS), apresentou as propostas que a OPAS está priorizando para o enfrentamento das CCNTs no Brasil neste ano, e corroborou sobre os impactos da pandemia com relação à saúde mental e agravamento das desigualdades sociais. A descontinuidades dos serviços de saúde também trouxeram resultados negativos no tratamento das DCNTs.

"Um conjunto de países têm demonstrado desafios no cumprimento das metas do Plano DANT, mas elas não inatingíveis", ressaltou o Sr. Diogo ao abrir o assunto sobre a estratégia de cooperação do Brasil entre 2022 e 2027. Cinco grandes eixos foram abordados, como reforçar a prevenção, resposta e a recuperação em emergências; impulsionar pesquisas e inovações na tecnologia; recuperar e melhorar os serviços de saúde impactados pela pandemia; contribuir no desenvolvimento de um SUS mais resiliente; e proteger e promover a saúde para pessoas em situação de vulnerabilidade social. O fortalecimento e integração das ações de saúde mental e apoio psicossocial como prioridade transversal também foi reforçado como uma das prioridades da OPAS para enfrentamento das CCNTs, área duramente impactada pela pandemia e que merece atenção redobrada nos próximos anos.

Já a Sra. Paula Johns, Diretora Geral da ACT Promoção da Saúde, apontou quais ações o novo governo deve priorizar no enfrentamento dos fatores de risco para CCNTs. Foi ressaltada a meta de auxiliar o governo para a promoção de saúde de qualidade por meio de políticas públicas. O diálogo com o governo também passa pela Agenda Brasil + Saudável, com atenção ao controle do tabaco, alimentação saudável, assim como o consumo abusivo do álcool e o aumento da pratica de atividades físicas por meio de políticas públicas.


"Temos trabalhado bastante na Agenda Brasil + Saudável os fatores de risco e também com relação à poluição do mar. Precisamos de políticas públicas para fortalecer esses objetivos para avançar nessa agenda regulatória", afirmou a Sra. Paula. Defensora da redução e/ou exclusão do marketing e propagandas abusivas e apelativas da indústria, a Sra. Paula Johns aponta que deve haver a regulamentação de ambientes para que o uso de certas substâncias seja monitorado, como já acontece com o tabaco, mas dessa vez na atenção ao álcool para ocasionar a redução de seu consumo abusivo, assim como aumentar os impostos sobre ele. A tributação referente ao tabaco e ao álcool também foi destacado pelo fato das pesquisas da ACT mostrarem que a população é favorável quanto às ações que procuram diminuir o consumo abusivo dessas substâncias, que afetam diretamente na qualidade de vida da sociedade, seja direta ou indiretamente.


Por fim, o debate do primeiro evento do FórumDCNTs em 2023 foi iniciado pelo Dr. Marco de Moraes que comentou sobre a baixa cobertura vacinal durante e após a pandemia, em torno de 40%, longe da meta de imunizar 90% das pessoas no Estado de São Paulo. “A cobertura vacinal abaixou de maneira geral, e agora a gente deslumbra que essa cobertura seja melhorada com a nova gestão de governo, com estudos e propostas para essa ampliação.” A Prof.ª Dra. Deborah Malta reforçou a necessidade da aplicação da segunda dose da vacina da COVID-19, também afetadas pelas fake news em diversos setores da sociedade, assim como a falta de vacinas. “As fake news atingiram de frente a situação da cobertura vacinal, que afetou não apenas a COVID, mas sim todas as outras vacinas disponíveis.”

O Sr. Diogo Alves mencionou as estratégias para eliminação do câncer de colo de útero, com acessibilidade no rastreio e na parte do tratamento a partir de equidades com a cobertura principalmente na região Norte, a região do Brasil mais afetada, com números similares a países da África. "É um câncer que entra na parte de inequidade e a região Norte é a primeira no número de óbitos, 40 pessoas por 100 mil, similares à África", afirmou. Além disso, foi destacado os indicadores de transtornos de saúde, descontinuidade dos atendimentos na Atenção Primária à Saúde (APS), que aumentaram durante a pandemia.


Em continuidade às discussões, a Sra. Paula Johns citou o desafio no combate aos cigarros eletrônicos, na questão do vício da nicotina, uma nova forma de perpetuar o uso do cigarro, que passa da forma convencional para outra mais atrativa, principalmente para os mais jovens com a presença de sabores e essências. "Os dispositivos eletrônicos são as novas formas para perpetuar o uso da nicotina, de forma mais atrativa para o consumidor", relatou. Corroborando à essa discussão, o Dr. Marco Antônio reforçou a preocupação nesse combate no Estado de São Paulo e o curto período de monitoramento dos cigarros eletrônicos, vide o crescimento exponencial de usuários pós-pandemia. De acordo com o último censo IBGE, cerca de 16% dos adolescentes utilizaram ao menos uma vez o cigarro eletrônico. "Nós observamos que enquanto o consumo do cigarro tradicional tenha diminuído, houve um aumento em 2020 no consumo dos cigarros eletrônicos, que ainda não é monitorado de forma ampla", afirmou a Profª Deborah Malta.


Na questão da rotulagem de alimentos, como na Tributação de Bebidas Adoçadas, a Sra. Paula Johns comentou sobre as novas marcações estarem corretas e beneficiar seu propósito nutricional, mas criticou os prazos de mudanças de cada produto ou empresa. Em exemplo, “caso tenham dois produtos iguais e de marcas diferentes, duas embalagens, com lupa e sem lupa, ambas estão dentro da lei”, completou.

A Prof.ª Dra. Deborah Malta considerou urgente ampliar o foco na atenção da obesidade e também a nutrição, e defende essas pautas nas próximas agendas. Em números, 125 milhões de pessoas no Brasil estão em insegurança alimentar, e a desnutrição, que acarreta no desenvolvimento de CCNTs no futuro, deve ser combatida para não repetir erros passados, como a volta do país ao Mapa da Fome. "Nós temos que voltar a monitorar a desnutrição e manter os números referentes à obesidade. Precisamos de novas pesquisas, pois podemos estar com os dois lados da insegurança alimentar", finalizou.


Os desafios no enfrentamento às DCNTs/CCNTs no Brasil são muitos, mas com estratégias específicas é possível atingir resultados favoráveis em todos os âmbitos da sociedade, seja na revisão de assuntos que não estavam em evidência como a obesidade, e também na manutenção de outras metas que seguem em alta, como a saúde mental, tributação de alimentos adoçados e o álcool e tabaco, substâncias lícitas, mas que merecem a atenção necessária da sociedade, algo que o FórumDCNTs promove constantemente.


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